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Festival do Rio: 'Regra 34' | 2022

NOTA 8.5

Por Rogério Machado 

Não dá pra falar da carreira da cineasta Júlia Murat ('Histórias que Só Existem Quando Lembradas' - 2011) sem falar do legado herdado por ela. Julia nitidamente tem seguido os passos firmes de sua mãe, Lucia Murat ('Que Bom te Ver Viva' - 1989)  que propõe um cinema inclusivo, feminista e com temas de vanguarda. Seu mais novo filme, 'Regra 34', que está na Competição Longa-metragem de Ficção no Festival do Rio e foi o grande vencedor do Leopardo de Ouro em Locarno, é ousado e mostra maturidade em atravessar um assunto espinhoso. 


Na história conhecemos Simone (Sol Miranda), uma jovem advogada negra que passou anos fazendo performances online de sexo para pagar a faculdade de Direito. Ela acabou de passar em um concurso para defensora pública e sua ambição é defender mulheres em casos de abuso. Com o objetivo de despertar novamente o desejo sexual de Simone, uma amiga envia para ela o link de um vídeo onde uma mulher negra pratica sadomasoquismo. Aos poucos Simone entra em uma jornada de conhecimento das práticas BDSM e seus interesses sexuais a levam a um mundo assustador, desconhecido e tentador de violência e erotismo.

Nas minhas pesquisas vim a descobrir que a tal 'regra 34' é uma máxima da Internet que afirma que a pornografia nesse ambiente  existe em todos os tópicos concebíveis. O conceito é comumente descrito como arte de fãs de assuntos normalmente não eróticos envolvidos em comportamento sexual. Trocando em miúdos: nem tudo é concedido na internet, existem diretrizes que definem um ambiente minimante sadio, ao menos dentro dos sites pagos, como o Only Fãs por exemplo. 

Existem limites para o prazer? Para o fetiche?  O longa de Julia Murat vai muito além desses questionamentos e debate temas como liberdade sexual, a violência contra a mulher - sobre tudo em famílias de baixa renda - e a mensagem mais contundente de todas: nosso comportamento entre quatro paredes, incluindo todos os nossos desejos, taras e orientação sexual, define quem somos e o que podemos ou não alcançar profissionalmente? 'Regra 34' não tem reservas em expor o corpo de uma mulher negra, fora dos padrões estéticos, e fazer dele um corpo político e livre das imposições do preconceito da sociedade. Ainda que entre no campo minado do debate moral, o longa de Murat é claro e cristalino na mensagem que escolhe transmitir. Liberdade de ser, sem que isso interfira no nosso ir e vir. 



Vale Ver!



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