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'Elvis' : cinebio do Rei do Rock tem como grande trunfo o protagonismo de Austin Bultler | 2022

NOTA 8.5 

Elvis deixou o prédio... 

Por Rogério Machado 

Antes de falar de 'Elvis', a aguardada cinebiografia do Rei do Rock que chega essa semana aos cinemas brasileiros, preciso revelar que sou um  grande admirador do trabalho do cineasta australiano  Baz Luhrmann desde 'Moulin Rouge - Amor em Vermelho', que chegava às telas pouco depois da virada do século. É claro que  em 'Romeu + Julieta' (1996) e 'Vem Dançar Comigo' (1992), seu debut muito promissor por sinal, ela já deixava ali pistas de sua marca registrada, mas foi no filme estrelado por Nicole Kidman e Ewan McGregor, onde fui arrebatado pela forma como ele falou de um amor proibido através de um musical altamente original e único.

'Elvis' é o retorno do realizador às telonas depois de quase dez anos, quando nos trouxe sua versão de 'O Grande Gastsby' (2013),  romance de F. Scott Fitzgerald, filme que também transportou a magnitude dos grandiosos espetáculos para o cinema. Talvez por isso a alta expectativa em torno da produção, não só por ser a cinebiografia de uma figura antológica como Elvis Presley mas também pela curiosidade em torno da roupagem que Luhrmann iria dar ao seu mais novo projeto. 


O filme acompanha as décadas da vida do ídolo (vivido por Austin Butler), do início de carreira até sua ascensão à fama, pela ótica de Coronel Tom Parker (Tom Hanks), mostrando seu relacionamento com o cantor, um empresário altamente manipulador. A trama mergulha na dinâmica entre o cantor e seu agente por mais de 20 anos de parceria, usando o panorama americano em constante evolução e a perda da inocência de Elvis ao longo dos anos como artista. No meio de sua jornada e carreira, Elvis encontrará Priscilla Presley (Olivia DeJonge), fonte de sua inspiração e uma das pessoas mais importantes de sua vida, seu único amor e com quem teve uma filha, Lisa Marie Presley. 

Luhrmann, no corte final, optou por deixar de fora sequências que davam muita ênfase na dependência de Elvis pelos medicamentos e substâncias restritas receitadas por seus médicos ao longo dos anos. Assim, temos uma cinebio que busca mostrar o lado showman do ídolo, mas sem deixar de mencionar o vício. Sua trajetória como entertainer perpassa parte da história dos E.U.A, entre as décadas de 50 e 70, como a morte de Martin Luther King e Robert Kennedy, além da ida do homem à lua. Suas influências, que vão da Música Country até a Música Negra Americana, passando inclusive pelo Gospel, estão todas lá retratadas através de uma montagem ágil e pulsante, traços bem característicos nos projetos do realizador.

Se é espetáculo que o púbico quer, é espetáculo que Luhrmann tem pra oferecer, e de certo a cinematografia do diretor prova que nisso ele é especialista, muito embora não ofereça nada de novo ou que supere a ousadia de 'Moulin Rouge', principalmente na produção musical, aqui ele tem um trunfo determinante: o carisma e a habilidade de Austin Butler em encarnar a Lenda do Rock, não só na caracterização ou no trabalho de maquiagem como também no trabalho corporal, principalmente quando pensamos no famoso rebolado de Elvis, onde inclusive há uma cena muito engraçada que reproduz o efeito hipnótico que o tal remelexo causava nas mulheres. 

'Todo showman é um ilusionista...' vez por outra Parker repete a frase para o cantor quase como um mantra. Um homem tóxico, abusivo e  envolto numa nuvem de fumaça difícil de ler. A grande sacada de 'Elvis' é apresentar os fatos sem demonizar qualquer um dos dois lados. Luhrmann soube usar todo o material biográfico que tinha em mãos e construir, à sua maneira, a visão que nem sabíamos que gostaríamos de ver na tela, com menos inventividade que esperávamos mas ainda assim, com muita luz, música, enfim... o show pelo show. E quando pensamos em show, parte do êxito reside na figura marcante de Austin Butler, uma verdadeira força na natureza, que não só convence como também nos confunde quando imagens reais de Elvis são adicionadas na sequência final. 

O ícone introduzido por Baz Luhrmann em 'Elvis' felizmente tem o  tamanho e reflete a ideia que sempre tivemos dele: a de uma estrela nata. Recomendo ver na tela grande, assim como todo filme do realizador. 



Vale Ver!



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