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PiTacO do PapO - 'O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio' | 2019

NOTA 9.5

Além disso, aqui é o Texas

Por Vinícius Martins @cinemarcante



Para entendermos devidamente o sexto capítulo da franquia 'O Exterminador do Futuro', temos antes que contextualizá-lo em sua própria existência. O que acontece agora com a série cinematográfica, estrelada por Arnold Schwarzenegger, é algo semelhante ao ocorrido com a antologia 'Halloween', cujo primeiro filme ganhou, em 2018, uma nova sequência direta; as várias produções anteriormente sequentes ao primeiro, cujos realizadores optaram em levar por caminhos questionáveis, passam a ser desconsideradas do cânone oficial para que seja realizada, então, uma nova sequência para a produção original - ou, nesse caso, "às produções originais", em um plural saudoso, já que se trata de uma continuidade específica aos eventos dos filmes 'O Exterminador do Futuro' (1984) e 'O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final' (1991), ambos escritos e dirigidos por um iniciante - porém já genial - James Cameron. Sendo assim, desconsideram-se 'O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas' (2003, dirigido por Jonathan Mostow), 'O Exterminador do Futuro 4: A Salvação' (2009, dirigido por Joseph McGinty - vulgo "McG") e 'O Exterminador do Futuro 5: Gênesis' (2015, dirigido por Alan Taylor). Então, a grosso modo, o sexto filme (que é o alvo desta dissertação) é, em sua essência, o novo terceiro. Esqueça os últimos três filmes e procure abraçar este novo como uma versão alternativa cuja finalidade é ampliar a mitologia.


Começando com o pé na porta, este novo terceiro episódio - dirigido por Tim Miller, de 'Deadpool' - estabelece sua relação com o longa de 1991 já nos primeiros minutos. Quem conhece a saga da resistência contra a SkyNet (que não é a junção entre duas operadoras de TV e internet, só para deixar claro aos iniciantes) sabe do papel crucial que John Connor tem em todas as etapas da cronologia; e quem sabe disso certamente notou a ausência do líder da resistência e filho de Sarah nos trailers e materiais promocionais. Aqueles que sabem ligar os pontos não vão considerar spoiler a informação de que John Connor está morto - o que é extremamente óbvio, uma vez que temos Sarah sozinha perambulando mundo a fora; e essa morte é o gatilho para a versão "sangue no olho" de Sarah Connor, provocando um ressentimento que ela carrega consigo por décadas e acaba sendo a fonte de todo amargor que se vê na figura rancorosa - e astuta - de uma Sarah com rugas aparentes e experiência em caçar exterminadores por esporte. O conceito "no fate" (sem destino), por outro lado, aqui acaba tendo um sentido contrário ao anteriormente rabiscado por Sarah em uma mesa no meio do deserto, enquanto via em um exterminador aliado uma figura paterna e protetora cabível ao filho John. Se antes ela queria mudar o futuro e evitar o desfecho trágico do embate entre máquinas e homens, agora ela quer confirmá-lo - mas não o futuro dela, necessariamente; ela escolhe lutar a favor do novo futuro porque justamente não há outra alternativa para a vitória. Dentre os vários rascunhos do caos desconhecido, "no fate" acaba sendo o único combustível de esperança que resta para lutar contra os destinos cruéis que insistem em mandar robôs assassinos do futuro para alterar o curso "original" da história.


Entretanto, este filme não é sobre Sarah Connor. A proposta da vez é a renovação da desgraça, mostrando quão pesado e sofrido é ter alguma responsabilidade sobre o futuro da humanidade. O humano, inclusive, é uma ideia a ser questionada. Grace (Mackenzie Davis), a aprimorada enviada do futuro, tem a missão de manter viva a jovem Dani para que o futuro de onde ela veio exista de fato. Sarah cruza o caminho da protetora e da protegida e, juntas, elas ficam com a árdua tarefa de vencer uma máquina invencível. Não é mais sobre Sarah ou John, não; é sobre um futuro que não conhecemos, que se originou da mudança provocada por John, Sarah e o T-800 amigo. Esse filme é sobre uma variável complexa, um efeito colateral inesperado, de um tempo que não era para existir mas que agora existe. O destino sombrio a que o título se refere é inevitável, e não há como fugir dele; a única coisa a fazer é se preparar para confrontá-lo de frente, antecipando sua chegada e preparando o terreno com armadilhas para o futuro - o que torna esse filme uma espécie de intermediário, acariciando os amantes dos longas clássicos e preparando a franquia para uma possível continuação. Todavia, nada é gratuito - nem mesmo as referências que acaloram os corações dos fãs. E por falar em fãs...


Querer comparar 'Destino Sombrio' (ou qualquer outra das sequências anuladas) com 'O Julgamento Final' é apelar para a covardia. É incabível esperar que este filme ou qualquer outro vindouro consiga superar a genialidade engenhosa do feito cinematográfico de James Cameron. O melhor a fazer é sentar-se em uma poltrona confortável e apreciar o passeio, tendo como foco o pensamento de que essa é apenas mais uma dentre as tantas outras possibilidades que se apresentaram antes dela. Há quem vá torcer o nariz, achar ruim e condenar o filme por não ser tão bom quanto o segundo, por "desrespeitar" a memória afetiva de quem ama a saga dos Connor e por "estragar" o merecido final feliz de Sarah e John; mas também há quem vá gostar da ideia e apreciará o filme pelo seu caráter episódico, ficando contente por rever velhos conhecidos em boa forma e por revisitar aquela versão pessimista (ou realista, dependendo do ângulo) de futuro onde a humanidade se esforça para manter viva a esperança de uma vitória improvável. Qual pessoa será você ao assistir o filme depende, principalmente, de você mesmo. Escolha seu futuro.

PS: Se quer deixar o celular em um pacote de batatas, então deixe o celular em um pacote de batatas.


Super Vale Ver !





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