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PiTacO do PapO - 'Rocketman' | 2019

NOTA 10

Pra se tornar o homem que você quer ser, você precisa matar o homem que você é...

Por Rogério Machado

A vida de um grande ídolo da música até parece  um clichê típico de cinema: drogas, álcool, família disfuncional, altos, baixos. Com Elton John, como todos devem saber, não foi diferente. 

O 'Homem Foguete' finalmente - depois de acompanhar todo processo de criação, desde escolha de quem defenderia sua persona até detalhes de produção, - ganhou uma cinebiografia que tem a cara e o espírito do homem que revolucionou a indústria da música nos anos 70.  'Rocketman' , que assim como 'Bohemian Rhapsody' (2018), tem em seu título o nome de uma canção marcante de seu dono, chega sob o estigma de seu  antecessor; comparações surgem aqui e ali, mas é justo dizer que o longa sob a direção de Dexter Fletcher (também envolvido na produção da cinebio do Queen), está a  alguns (senão muitos) degraus acima do longa que deu um Oscar a Rami Malek esse ano. 


'Rocketman' acompanha a vida de  Reginald Dwight, que desde muito pequeno já demonstrava um talento sem igual para a música. Incentivado pela mãe, Sheila (Bryce Dallas-Howard), ele ingressou na Royal Academy of Music e se destacou pela autonomia ao piano , o jovem era um desses poucos prodígios que 'tocavam de ouvido'. Dali para os clubes de rock and roll foi um pulo, e mais tarde a paixão por Elvis Presley e Bill Haley, haveria de influenciar sua veia musical. Mas muito diferente do que se via no rock em pleno anos 70, o homem que naquela altura do campeonato já havia adotado o nome de Elton John (Taron Egerton), traria cor ao monocromatismo dos Beatles e de outros expoentes do rock em parte daquela década.  Da Inglaterra para uma grande casa em Los Angeles, o inevitável sucesso ganharia os E.U.A e o mundo. 

A ausência paterna e a dor em função disso, a parceria com Bernie Taupin (Jamie Bell), que rendeu inúmeros sucessos  eternizados no cancioneiro pop americano, o caso com seu segundo empresário, John Reid (Richard Madden), a primeira decepção amorosa, a primeira overdose, o recorrente problema com o álcool,  são abordados de maneira enxuta, mas com um preciosismo muito consistente. Com uma narrativa que não segue uma receita ou padrão, o longa se assemelha a um sonho ou um delírio do cantor, ora com performances com bailarinos ao melhor estilo broadway, ora com evoluções mais intimistas usando o elenco para contar a história tendo as letras conhecidas do grande público como base para os momentos efusivos ou mais melancólicos na vida do homem que era tudo, menos uma pessoa comum.

E por falar em um artista que nada tinha de básico, o figurino  é mais um ponto alto no longa de Fletcher: o figurinista Julian Day teve a responsabilidade de recriar alguns dos figurinos mais emblemáticos de John, que também são extravagantes - 50 pares de sapatos e mais 50 óculos (outra marca registrada do artista) foram reproduzidos para compor o look efusivo do personagem, que de nada valeriam se não fosse a superlativa e impressionante performance de Egerton, que chama a atenção não só pela caracterização mas pelo timbre muito semelhante ao do cantor. 

Outra boa observação que cabe ressaltar com respeito a trinca roteiro x montagem x edição é que as canções de Elton não são usadas gratuitamente no decorrer da projeção, todas elas , sem exceção, auxiliam no desenrolar dessa digressão artística e pessoal do homem foguete. Glórias e fracassos culminam num último ato que reproduz com criatividade um de seus mais famosos vídeo clipes, o da canção 'I'm Still Standing' (1983), que pode até soar como um fechamento clichê para ilustrar a vida atual do nosso herói, mas que não deixa de ser um desfecho digno não somente do artista, mas do homem que ele se tornou com o passar dos anos. 

'Rocketman' tem cheirinho de Oscar. 


Super Vale Ver! 


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