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PiTacO do PapO - 'O Banquete' | 2018

NOTA 9.0

Burguesia fede

Por Rogério Machado


Em 2011, o mestre Roman Polanski lançava um dos seu filmes mais festejados dos últimos anos: 'Deus da Carnificina', com um elenco estelar, apresentava uma trama claustrofóbica, em um único cenário onde pessoas comuns se digladiavam  verbalmente para defender sobre posições e razões sobre questões meramente domésticas. Estamos em 2018. É a hora e a vez da cineasta Daniela Thomas se lançar não só no formato - trabalhando num só ambiente cênico - como também na carnificina verbalizada tendo como base as relações interpessoais , que nem sempre são cordiais naturalmente e sim por esconder segundas intenções nefastas.

A trama se passa bem no finalzinho da década de 80 no Brasil, que, apesar de ter retornado à democracia, ainda vive uma época de extrema instabilidade política e incerteza geral. No meio disso tudo, Nora (Drica Moraes) e Plínio (Caco Ciocler) organizam um jantar em sua casa para comemorar os dez anos de casamento de dois grandes amigos , Bia (Mariana Lima), uma grande atriz de teatro, e Mauro (Rodrigo Bolzan), que é editor de uma grande revista e pode ser preso a qualquer momento pelo fato de ter escrito uma carta aberta com denúncias contra o presidente do país. 



Daniela Thomas situa sua trama num metiê de gente refinada, burguesa, entre eles artistas e jornalistas. Existe algo de autoral, já que a cineasta é filha de Ziraldo e durante sua infância conviveu de perto com profissionais da imprensa. Trazendo para o longa, tal situação, por exemplo, remete à carta publicada em 1991 por Otávio Frias Filho na Folha de S. Paulo, direcionado ao então presidente da República, Fernando Collor de Mello. Contudo, mesmo tendo fundo político , não é isso que a história aborda diretamente: o roteiro, também de Thomas, com muita acidez e ironia tira sarro com a altivez da burguesia, sobre a leviandade e falsidade num meio em que todos vivem de aparências. 

O texto é delicioso, cheio de sarcasmo revela esse jogo de poder midiático, político e principalmente social. Mas não é só o ótimo roteiro que chama a atenção no segundo filme de Daniela Thomas , mas também as qualidades técnicas, como por exemplo os longos planos sequência , os jogos de câmeras e a movimentação inquieta das lentes que aproximam o espectador do desconforto entre os presentes que vai se estabelecendo do segundo para o terceiro ato. Além do que, o elenco é quem dá o toque final com performances incríveis , que ainda conta com as presenças de Shay Suede, Bruna Linzmeyer, Fabiana Guglielmetti e Gustavo Machado. 

Sexy, debochado, desbocado, indecente e irritantemente real, 'O Banquete' se passa nos anos 80, mas mostra que a sociedade ainda continua a mesma. O longa estreou na última quinta feira e está em cartaz nos melhores cinemas. 

Super Vale Ver !






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