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PiTacO do PapO - 'Oito Mulheres e Um Segredo' | 2018

NOTA 9.5

O filme que era necessário e que ninguém sabia que era

Por Vinícius Martins @cinemarcante 


Estamos na era dos reboots. Grandes clássicos como ‘Jurassic World’, ‘Mad Max: Estrada da Fúria’, e até mesmo o sexto ‘O Exterminador do Futuro’, que está em pré produção, são produtos dessa nova safra que mesclam sequências com tentativas de reviver franquias já gastas. Seguindo essa linha, a bola da vez é uma trilogia contemporânea - que não deixa de ser clássica - conhecida por seus fãs como trilogia Ocean’s.

O novo filme supera expectativas ao mostrar que não é só uma vitrine com rostinhos bonitos de vencedoras e indicadas ao Oscar, e se desenvolve muito bem fazendo uma conexão emocional com a trilogia dirigida por Steven Soderbergh (que retorna como produtor) e dando uma nova roupagem para as reviravoltas absurdas e colossais que sempre ocorrem no terceiro ato.


Já que falamos na trilogia, esse reboot consegue ter sua própria identidade visual. Os cortes rápidos estão lá, estratégicos e cirurgicamente precisos, mas o modo de filmar do diretor Gary Ross se mostra muito diferente dos filmes clássicos e já estabelecidos de Soderbergh. O velho e renomado diretor - que já anunciou sua aposentadoria umas vinte vezes mas nunca saiu do ramo - sempre fazia para os filmes Ocean’s planos abertos e tomadas distantes, com uma súbita puxada de zoom in sobre alguém na multidão que se mostrava ser um membro disfarçado da gangue de Danny Ocean ou uma pessoa a ser perseguida/capturada/substituída pelo grupo. Ross, por sua vez, faz um verdadeiro ballet com seus planos e foca suas estrelas sempre com um olhar mais aproximado, mais íntimo, situando seu público nas feições das atrizes excepcionalmente escaladas. Há uma ou duas cenas de zoom in, mas nada comparado aos excessos que são tão característicos dos filmes lançados nos anos dois mil. Não há muitas telas divididas, mostrando a ação simultânea como visto nos demais filmes da série, e nem tampouco aquelas cenas que apresentam visualmente o plano que está sendo debatido. O resultado disso? Um filme surpreendentemente mais leve e com voz própria, entrando nesse universo já consolidado de homens vigaristas e narizes postiços.

Não sou muito fã do termo “empoderamento feminino”, mas se há um filme em 2018 que reproduza com louvor o significado desse termo em um contexto impressionante e expressivo, esse filme é ‘Oito Mulheres é um Segredo’. Ross, que também roteirizou, sabe como colocar uma girl power nas telas; prova disso é o primeiro longa da franquia ‘Jogos Vorazes’, onde conseguiu transportar toda a atmosfera tensa de Panem para a tela sem deixar de lado a sensibilidade de Katniss.

Entre planos mirabolantes, uma vingança e um legado de família, ‘Ocean’s Eight’ (Sandra Bullock é Debbie Ocean, irmã de Danny, interpretado na trilogia por George Clooney, com quem contracenou em ‘Gravidade’- 2013) se faz mais do que um filme sobre roubo de diamantes valiosos: ele quebra o pensamento de que um filme sobre uma equipe formada somente por mulheres é algo inviável, e faz isso entregando um dos melhores filmes de assalto da década. Que esse seja o primeiro de muitos, com equipes de mulheres entre super-heroínas, vilãs ou anti-heroínas, como são as membras da gangue rica em diversidade e qualidade de Debbie Ocean.


Super Vale Ver !

DIREÇÃO

Gary Ross

EQUIPE TÉCNICA

Roteiro: Gary Ross, Olivia Milch
Produção: George Clooney, John R. Saunders, Steven Soderbergh, Susan Ekins
Fotografia: Eigil Bryld
Trilha Sonora: Daniel Pemberton
Estúdio: Smokehouse Pictures, Village Roadshow Pictures
Montador: Juliette Welfling
Distribuidora: Warner Bros

ELENCO

Adriana Lima, Anne Hathaway, Awkwafina, Carl Reiner, Cate Blanchett, Dakota Fanning, Hailey Baldwin, Helena Bonham Carter, Jaime King, James Corden, Katie Holmes, Kendall Jenner, Kim Kardashian, Kylie Jenner, Matt Damon, Michael Gandolfini, Mindy Kaling, Olivia Munn, Richard Armitage, Rihanna, Sandra Bullock, Sarah Paulson

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