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PiTacO do PapO - 'Barão Vermelho : Porque a Gente é Assim?' | 2017

NOTA 9.0

Por Karina Massud @cinemassud 



Brasil, 1985: os duros anos de ditadura militar chegam ao fim e o clima é de euforia geral no país: Tancredo Neves é eleito Presidente (o primeiro civil em 3 décadas), exilados políticos voltando e a cena cultural é borbulhante, éramos felizes e sabíamos. É o boom do rock nacional e bandas de todos os estados e gêneros despontam para o estrelato.  Foi nesse cenário que nasceu a banda de rock Barão Vermelho, que alçou à fama depois de Caetano Veloso cantar a belíssima “Todo o Amor que Houver Nessa Vida” em um dos seus shows. O resto é história, história essa contada no ótimo documentário   “ Barão Vermelho: Por que A Gente é Assim?”, que mescla o momento político, histórico e cultural com o nascimento e ascenção de uma das mais icônicas bandas brasileiras.



A banda surgiu da união de Cazuza, garoto rico da zona sul, porra louca que vivia como se não houvesse amanhã, com Roberto Frejat, garoto certinho e até um pouco nerd de óculos e aparelho nos dentes e outros  músicos de qualidade. A primeira metade do filme tem um ritmo louco assim como era a vida da banda, entre dias de sol e baseado na praia (quando Cazuza e Frejat compuseram os primeiros sucessos), a vida boêmia, ensaios improvisados e muita diversão despretensiosa, pois como a maioria das bandas dessa época, eles não imaginavam que chegariam ao topo e fariam da música sua profissão.

A diretora Mini Kerti (mais conhecida por dirigir comerciais para TV e clips de artistas famosos), dosou muito bem os depoimentos dos integrantes, amigos e familiares da banda com filmagens de ensaios, bastidores de shows e de apresentações em programas como “Raul Gil” e “Chacrinha”. O celeiro de talentos que era o Circo Voador também é destaque - as mudanças de estilo da banda, do rock/pop simplesinho e de histórias de amor como “Bete Balanço” à obra-prima “Todo Amor que Houver Nessa Vida”, sempre com riffs de guitarra poderosos e ritmo quase sempre dançante. Conhecemos também a importância e amizade do produtor Ezequiel Neves, figura emblemática e guru na cena musical, aquele que dava o toque de midas às músicas.



A segunda metade do longa foca na transição do Barão quando Cazuza decidiu seguir carreira solo, pois ele levou todo o repertório com ele, deixando a banda sem rumo até decidir que Frejat ficaria nos vocais. A partir daí o Barão procurou novas parcerias e seguiu com identidade própria, rock clássico com uma pegada de blues de primeiríssima.  Impossível não se emocionar com a amizade fraterna entre Cazuza e Frejat, pois as rusgas da separação da banda foram deixadas pra trás e a bela parceria seguiu até a morte de Cazuza (que em 2018 faria 60 anos - difícil imaginar aquele garotão entrando na meia idade!) em decorrência da AIDS.

Documentário maravilhoso que comove e traz à tona uma nostalgia boa pra quem viveu essa época, e nos mostra exatamente por que a gente é assim!

Super Vale Ver !


DIREÇÃO

  • Mini Kerti

EQUIPE TÉCNICA

Roteiro: Mini Kerti, Joana Ventura 
Produção:  Mini Kerti 
Mixagem de Som: Denilson Campos, Frederico Massine
Edição: Joana Ventura 

ELENCO


Cazuza, Frejat , Guto Goffi, Ezequiel Neves, Peninha, Fernando Magalhães, Rodrigo Santos

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