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Dica do Papo! 'Quem Tem Medo de Virginia Woolf?' - 1966

Com toda absoluta certeza, o clássico de hoje da nossa segunda 'old but gold'  
será o drama mais obscuro ( e bota obscuro nisso!) que você já viu ou verá!   'Quem tem Medo de Virginia Woolf', lançado em 1966 entra para o hall de filmes atemporais, e que sempre terá algo diferente a dizer, independe do tempo e da época. 



O nome do filme que faz alusão ao nome da escritora, ensaísta e editora britânica, conhecida como uma das mais proeminentes figuras do modernismo, nada tem haver com a personalidade do mundo literário, (ou pode ser que sim, quem sabe...) e sim faz menção  a célebre canção infantil 'Quem tem medo do lobo mau?' (Who's Afraid of the Big Bad Wolf?) do desenho animado da Disney, 'Os Três Porquinhos'.  Genial não?   Mas as referências e toda genialidade não ficam somente no título desse clássico com uma Liz Taylor que causou estranheza ao público quando na época apareceu gorda e envelhecida, num papel escandaloso de uma megera barulhenta e furiosa. A metamorfose, no entanto, lhe garantiu o segundo Oscar de melhor atriz e o filme aparece em 67º lugar na lista dos 100 melhores filmes da AFI, edição de décimo aniversário.


Escrito por Ernest Lehman, baseado na peça teatral de Edward Albee, “Quem tem medo de Virginia Woolf?” apresenta o professor universitário George (Richard Burton) e sua esposa Martha (Elizabeth Taylor) voltando pra casa após uma festa na casa do pai dela, que é também o reitor da escola. Bêbados, eles se preparam para receber a visita de outro casal, formado pelo também professor Nick (George Segal) e sua mulher Honey (Sandy Dennis). Entre um e outro diálogo, surgem confissões e intensas agressões verbais, que só pioram com o passar do tempo.

Logo nos primeiros minutos, “Quem tem medo de Virginia Woolf?” já estabelece o tom carregado de sua narrativa através da trilha sonora melancólica de Alex North e da fotografia sombria de Haskell Wexler. Em seguida, acompanhamos os primeiros diálogos entre Martha e George, que determinam a personalidade destrutiva do casal enquanto eles se preparam para receber visitas. Acertadamente, a montagem de Sam O’Steen investe os primeiros 45 minutos da narrativa na seqüência que se passa dentro da casa deles, sufocando o espectador naquele ambiente pesado e estabelecendo os potenciais conflitos entre os personagens. Desta forma, na medida em que as discussões acontecem, o espectador já sabe o efeito que cada frase provoca neles. O montador acerta ainda na maneira dinâmica com que acompanha estes diálogos, aumentando os cortes na medida em que as agressões verbais se intensificam e evitando os cortes nas cenas melancólicas, como quando George está sentado no balanço.


Estas agressões verbais revelam também o primoroso trabalho do roteirista Ernest Lehman, que constrói diálogos afiados e marcantes, repletos de ofensas entre um casal tão autodestrutivo quanto dependente. Aproveitando-se do conhecimento que têm do parceiro para agredi-lo, Martha e George demonstram uma incrível capacidade de tocar nas mais profundas feridas do outro. Além disso, o roteiro tem o cuidado de deixar dicas do cruel encerramento da narrativa, evidenciadas todas as vezes que alguém menciona o filho do casal através do incômodo de George e da aflição de Martha.



Enfim,  é difícil definir o longa de Mike Nichols (que na época estreava no posto de direção - e que bela estreia!) , tamanha complexidade de uma trama que se desdobra em cima de jogos psicológicos que deixam o especador intrigado o tempo inteiro.  Com excelentes atuações, um roteiro excepcional e a direção eficiente , “Quem tem medo de Virginia Woolf?” é um drama sufocante, que faz um estudo complexo de dois personagens destrutivos e nos conduz com intensidade até o seu desfecho perturbador. Explorando os pontos fracos dos “oponentes” sem piedade e aproveitando as mais íntimas confissões de cada um deles, os personagens do longa demonstram o quanto o ser humano pode ser cruel. Afinal, ninguém pode nos ferir mais do que aqueles que tanto sabem sobre nós.






'Papo de Cinemateca - Porque Cinema e Diversão é com a Gente Mesmo'. 

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