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PiTacO do PapO ! 'O Valor de um Homem' - 2016

NOTA 7.9



Tem um ditado que diz :  'Dinheiro não compra a felicidade, mas ajuda buscar...' Se não me falha a memória, é isso mesmo,  e no último filme estrelado pelo grande ator francês Vincent Lindon , o diretor Stéphane Brizé coloca na mesa o valor das coisas, e também das pessoas: 'O Valor de um Homem', que  passou pelos cinemas brasileiros,  num circuito bem fechado inclusive,  é um filme introspectivo e de ritmo pausado,  mas que tem o bom mérito de fazer pensar. 


Na história Lindon vive Thierry , um pai de família com 51 anos e que está desempregado. Ele faz cursos de diversas formações, mas não consegue nenhum cargo para ajudá-lo a manter o lar, a esposa e o filho deficiente mental. Depois de uma série de entrevistas humilhantes, Thierry é empregado como segurança de um supermercado. Mas seu trabalho consiste justamente em reproduzir com os clientes e com outros funcionários a lógica de dominação a que ele vinha sendo submetido. Como reagir neste caso? É possível passar por cima de situações tão desconsertantes?

Nós brasileiros,  com toda certeza nos identificaremos com a história de Thierry, afinal de contas recentemente com toda essa crise financeira que arrasta o país pro buraco,  o desemprego é infelizmente uma situação corriqueira entre nós. Assim,  até profissionais  com formação superior e acostumados há anos num determinado nicho dentro do mercado, tem que muitas vezes aceitar cargos muito aquém de sua formação para não morrerem de fome. 

A saga do nosso protagonista vai um pouco mais além : a tortuosa trajetória de Thierry representa antes de tudo a sua afirmação como sujeito, e não mero objeto do ambiente em que vive. De um lado, há uma ideia de mecanização do homem reforçada por cenas como a entrevista de emprego via Skype (em que um ângulo lateral omite o rosto de quem está se comunicando do outro lado) e o posterior comentário de colegas sobre posturas inadequadas ao que se espera de um postulante a uma vaga de trabalho; de encontro, há uma força anti-embrutecimento que se revela no longo plano da aula de dança (que mais tarde trará “resultado” no momento de maior alegria com o filho) e também no modo com que ele lida com os dilemas financeiros/morais que surgem ao longo da trama.  Esteticamente o filme cai sim em alguns vícios, mas nada que comprometa  a qualidade do discurso desse ótimo longa francês que passou pelo Festival de Cannes em 2015 e deu o prêmio de melhor ator à Vincent Lindon. 







Vale Ver ! 




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